"Que dádiva mais surreal, consequência de meus desejos mortais. Essa natureza anda tão medíocre, traz em suas próprias vozes com tantas maldades, minhas vontades, jamais cumpridas. Nunca me deram asas, e quando pude construí-las, roubaram-nas de mim. Fragilizaram-me a eternidade padecer entre grades. Preferia-me á morte, não tive nem mesmo guindastes, que pudessem me reerguer a lutar. Que covil de verdades peçonhentas, essas grades sempre foram minha própria alma. Como lutar contra seu próprio ego, e sem indagações a fazer, sempre foi minha contradição, não se saber o que fazer muito menos o certo a fazer. Que seja apenas um eclipse de minhas luas, ou uma escondida discreta do sol. Ta tudo jorrando sangue aqui dentro, minhas paredes estão completamente dilaceradas. Que surja algum guindaste, digno de me erguer, ou talvez uma boa alma, digna de me desprender."
— Francielly Flausino