Se agarre ao que mais te faz feliz! Não deixe a felicidade subir em um balão imaginário e levar de ti coisas que te arrancam sorrisos. Viva cada momento com simplicidade, e corre em busca dos sentimentos que realmente quer seguir. Se arrisque sem medo, embora seja difícil. Ignore as circunstâncias. Esqueça o ruim, e dê a ele um motivo de ser bom o suficiente para se pôr ao seu favor. Pense no pouco tempo de vida que tem e tente multiplicá-lo através de atitudes educadas com pessoas simples! Acredite em si mesmo, e se confie! Confiar nos outros é errado? Carpe diem! Só aprenda com os erros. Seja você mesmo. Viva!
Eu escolho a música que mais me lembra você e coloco no último volume. É bom dançar ao ar livre pensando em alguém. Abraçando o ar, fingindo que estou dançando descompassadamente com meu amor. Que tal uma xícara de café? Que tal ficar sentado na minha varanda discutindo os livros do século passado? Quem sabe nos conhecemos em outra vida… Talvez tenhamos sido grandes amantes! Eu ainda não entendi o propósito de falar quando não se tem alguém para escutar o que está sendo dito. Gritei, aos quatro ventos, que eu amava você, de corpo, alma, espírito, mente! Por que não podemos ficar mais 5 minutinhos lendo os versos de Drummond? Não dá para esquecer o quanto não somos como o resto do mundo e só ser? Vamos aproveitar, meu amor, o agora que conseguimos com o devido esforço. Sorria aquele sorriso de lado, mas aqui do meu lado, por favor! Não dá para dançar agarradinho com o ar, não mesmo. Preciso sentir suas mãos na minha cintura, preciso sentir o seu perfume de sabonete, preciso calar a sua boca com meus lábios. Vamos viajar para sei lá onde, ficar sei lá quanto tempo! Não se esqueça de todas as promessas sussurradas às 4 horas da madrugada. Eu já não consigo sentir mais meus pés de tanto dançar. Mas falta algo. Sempre falta você. Porque você foi, foi, foi. E eu fiquei, fiquei, fiquei. Ainda tenho aquele trecho daquele livro que você escreveu no meio do meu caderno de anotações. Ainda tenho aquela caneca rachada que você me deu como prova de amor. Ainda tenho gravado na memória todos aqueles momentos, que agora parecem irreais. Volta para mim, meu amor, volta para meus braços e vamos dançar. A música não vai acabar, ela continua até você voltar e resolver ficar (para sempre, sempre, sempre e sempre). Siga o som da minha voz que ecoa a nossa música. Siga o seu coração em direção ao meu.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
Nitidamente fétida, profundamente intrigante. Poeta que só pensa ao dormir. Ou que não dorme por pensar. O egoísmo da flor que desabrocha pra si, o sol que não se esconde por medo de sumir. O simples, e composto, mas apesar de tudo, sujeito do meu próprio verbo. Dezesseis anos de submissão a vida, de obediência ao limitado, e de esclarecimentos circunstanciais. A felicidade no som da chuva, a euforia de um tilintar de moedas ao ouvido de mendigos. Assim sou eu. A eutanásia sentimental. O eufemismo, a antítese. A diferença. Prazer, A Dificuldade.
Em 23 de junho de 1942 havia um grupo de judeus franceses numa prisão alemã, em solo polonês. A primeira pessoa que peguei estava perto da porta, com a mente em disparada, depois reduzida a passadas, depois mais lenta, mais lenta…
Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém-nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei de seu medo.
A todos que levei embora, e se houve um momento em que precisei de distração foi esse. Em completa desolação, olhei para o mundo lá em cima. Vi o céu transformar-se de prata em cinza e em cor de chuva. Até mesmo as nuvens tentaram fugir.
Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo, sem sombra de dúvida, que o Sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul. Eles eram franceses, eram judeus, eram você.
